Oh circe circe de lentas folhas
faz do esquecimento o brilho furtivo das maçãs
a pequena orgia da chuva na vidraça
os dentes miúdos da carícia.
Eugénio de Andrade, Véspera de Água, Editorial Inova, Porto, 1973
A casa já não é um círculo nem as vidraças
se abrem ao esplendor do mundo.
Essas devolviam
a luz o vento os sons da ramaria
de aves e o mar distante - altas janelas
da casa morna habitada só
pela ternura dos dias lisos
e o curso de astros no céu de verão.
Esta agora impõe seus ângulos
rectos -
chama o vento e ela fechada
em rigorosa esquadria.
Só à noite, às vezes à noite,
em vigília se faz círculo,
diminuto centro do silêncio.
E descem
das estrelas ou ascendem
da terra funda do planeta vozes –
labareda de humana substância
aquecendo paredes tão duras:
um primeiro rio, areias da beira-mar,
o jardim das delícias e dos enganos,
quanto clareia a mágoa
vinda da infância já;
e a linha de fogo que miraculosa ondeia,
rareia adensa e chega
de Homero e outros até mim.
Mas vai findando o tempo das casas circulares.
Afasta-se o primeiro incêndio das palavras
e os grilos cantam uníssonos
ao piscar das turbinas eólicas.
Gargalha um Prometeu desonesto
e nada acompanha o tempo humano,
grande solidão de ferrovia,
correndo,
sob a lua cheia,
tal um quadro de Delvaux.
Soledade Santos

William Sheller, Rock'n Dollars, 1975
Ce n'est pas que le temps soit plus mauvais qu'hier
Mais je préfère rester chez moi,
A me parler de toi, oh, oh, oh...
Comme je m'ennuie de toi.
Ce n'est pas que mes amis m'abandonnent
Mais je les emmerde au téléphone
A leur parler de toi, oh, oh, oh...
Comme je m'ennuie de toi.
Tu m'as dis sors un peu et va au cinéma
Pendant que je ne suis pas là
Et je n'verrais que toi, oh, oh, oh...
Comme je m'ennuie de toi.
Juste après l'automne qui suivit sa guérison
Oncle Arthur et moi
On jouait aux soldats
Il avait pris les commandes de l'avion
Juste après sa guérison.
C'est un souvenir, qui vient comme ça en passant
Oncle Arthur et moi
C'est bien loin déjà.
Il m'a appris la clarinette, en vingt leçons,
J'aimais mieux l'accordéon.
Juste un souvenir comme ça.
Une image d'autrefois.
[...] o que realmente conta não são as empresas do negócio da educação, sector relativamente fraco da economia, mas sim os interesses dos sectores capitalistas dominantes, dos grandes empregadores, para os quais é o sector público que tem de formar o capital humano – mas segundo os seus desideratos. [...]

O Livro Branco sobre os alunos dos 14 aos 19 anos, publicado em Fevereiro de 2005 pelo governo britânico (...) prevê uma orientação para o ensino profissional aos 14 anos, sob a direcção do patronato: «Queremos pôr os empregadores no posto de comando, para que eles tenham um papel decisivo na fixação dos percursos educativos e na definição pormenorizada do conteúdo dos diplomas». Ou seja, uma base de conhecimentos vendidos ao desbarato, sem ciências sociais, sem humanidades, sem línguas vivas e sem artes. Uma espécie de equivalente educativo do salário mínimo – e com lógica, visto ser para aí que essa base há-de levar os alunos dos estratos populares.
Richard Hatcher, Director de investigação na Faculdade de Ciências da Educação, University of Central England, Birmingham, Reino Unido